A cruz da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e o ícone de Nossa Senhora continuam sua peregrinação pelos estados do Brasil. Até o dia 10 de janeiro, os símbolos percorrem a Bahia e Sergipe, e a partir desta data, será a vez dos estados do Regional Nordeste 2 da CNBB - Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
Nesta nova temporada, os símbolos devem fazer uma pequena mudança de rota e visitar a sede da Comunidade Canção Nova, no dia 14 de janeiro. Na noite deste mesmo dia, a cruz e o ícone retornam ao Regional Nordeste 2 para continuar a peregrinação até o dia 17 de fevereiro.
Uma novidade lançada recentemente é o aplicativo Siga a Cruz, desenvolvido pelo departamento de Tecnologia da Informação (TI) da Canção Nova em parceria com o Comitê Organizador Local da JMJ, com o intuito de facilitar que os jovens acompanhem a peregrinação dos símbolos pelas dioceses do Brasil e países do Cone Sul.
A peregrinação com os símbolos continua até 2013, em preparação a JMJ que acontecerá no Rio de Janeiro, de 23 a 28 de julho.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Presépio guardado há 300 anos é exposto no Equador
Rádio Vaticano
Conservado durante 306 anos entre os muros do convento de clausura "del Carmen Bajo de Quito", um presépio com cerca 500 peças feitas no século XVIII se transformou em uma das principais atrações na capital do Equador e pretexto para uma aproximação à vida contemplativa das carmelitas.
As religiosas carmelitas abriram as portas do convento ao público para que aprecie as figuras em uma sala dedicada completamente ao presépio natalino. A cena que representa Herodes e suas dançarinas compreende bonecas de madeira com as quais brincavam as noviças que, no século XVIII, entravam muito cedo na Ordem, segundo explica a guia da exposição Lorena Albán.
“As meninas de 13 ou 15 anos entravam como um dote que a família dava à igreja. Chegavam com suas bonecas de madeira e elas as vestiam”, relatou. No entanto, devido à austeridade exigida nas celas, as noviças não podiam ter consigo suas bonecas, por isso passaram a fazer parte do presépio. Além dessas bonecas e das peças em madeira da Escola Quiteña, de alto perfeccionismo, também aparecem figuras de porcelana doadas ao convento e que destoam do conjunto.
O presépio encena a anunciação do Arcanjo Gabriel à Virgem Maria, a visita de Maria à sua prima Isabel, o nascimento de Jesus, sua apresentação no templo e sua perda nesse mesmo templo anos depois. Todas estas cenas são recriadas em diferentes regiões do Equador e oferecem uma mostra dos diferentes estilos arquitetônicos.
As religiosas carmelitas abriram as portas do convento ao público para que aprecie as figuras em uma sala dedicada completamente ao presépio natalino. A cena que representa Herodes e suas dançarinas compreende bonecas de madeira com as quais brincavam as noviças que, no século XVIII, entravam muito cedo na Ordem, segundo explica a guia da exposição Lorena Albán.
“As meninas de 13 ou 15 anos entravam como um dote que a família dava à igreja. Chegavam com suas bonecas de madeira e elas as vestiam”, relatou. No entanto, devido à austeridade exigida nas celas, as noviças não podiam ter consigo suas bonecas, por isso passaram a fazer parte do presépio. Além dessas bonecas e das peças em madeira da Escola Quiteña, de alto perfeccionismo, também aparecem figuras de porcelana doadas ao convento e que destoam do conjunto.
O presépio encena a anunciação do Arcanjo Gabriel à Virgem Maria, a visita de Maria à sua prima Isabel, o nascimento de Jesus, sua apresentação no templo e sua perda nesse mesmo templo anos depois. Todas estas cenas são recriadas em diferentes regiões do Equador e oferecem uma mostra dos diferentes estilos arquitetônicos.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Mensagem do Dia: Paz na terra aos homens de boa vontade
Natal é tempo de nos dedicarmos a praticar o bem a todas as pessoas. Uma criança certa vez disse: “Todos os dias podia ser Natal”. Ela vivia num contexto de guerra e passava muita fome, e justamente num dia em que se comemorava essa festa [Natal] chegou a libertação para ela e toda sua família. Quando ela viu chegar tantos alimentos, repetia sem parar: “Todos os dias podia ser ‘notó’, porque ela não sabia falar direito, mas entendeu com o coração de criança que Natal é algo bom.
Somos chamados por Deus a celebrar o Natal todos os dias da nossa vida; a deixar Cristo nascer no nosso coração e levar esperança a todos que estão em guerra interior e exteriormente.
“Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por Ele amados” (Lc 2,14).
Jesus, eu confio em Vós!
Luzia Santiago
Somos chamados por Deus a celebrar o Natal todos os dias da nossa vida; a deixar Cristo nascer no nosso coração e levar esperança a todos que estão em guerra interior e exteriormente.
“Glória a Deus no mais alto dos céus, e paz na terra aos homens por Ele amados” (Lc 2,14).
Jesus, eu confio em Vós!
Luzia Santiago
Santo do Dia : Santo Estêvão
"Estêvão, porém, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. Levantaram-se então alguns da sinagoga, chamados dos Libertos e dos Cirenenses e dos Alexandrinos, e dos da Cicília e da Ásia e começaram a discutir com Estêvão, e não puderam resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava. Subornaram então alguns homens que disseram: 'Ouvimo-lo proferir palavras blasfematórias contra Moisés e contra Deus'. E amotinaram o povo e os Anciãos e Escribas e apoderaram-se dele e conduziram-no ao Sinédrio; e apresentaram falsas testemunhas que disseram: 'Este homem não cessa de proferir palavras contra o Lugar Santo e contra a Lei; pois, ouvimo-lo dizer que Jesus, o Nazareno, destruirá este Lugar e mudará os usos que Moisés nos legou'. E todos os que estavam sentados no Sinédrio, tendo fixado os olhares sobre ele, viram o seu rosto como o rosto de um anjo".
Num longo discurso, Estêvão evoca a história do povo de Israel, terminando com esta veemente apóstrofe:
"'Homens de cerviz dura, incircuncisos de coração e de ouvidos, resistis sempre ao Espírito Santo, vós sois como os vossos pais. Qual dos profetas não perseguiram os vossos pais, e mataram os que prediziam a vinda do Justo que vós agora traístes e assassinastes? Vós que recebestes a Lei promulgada pelo ministério dos anjos e não a guardastes'. Ao ouvirem estas palavras, exasperaram-se nos seus corações e rangiam os dentes contra ele. Mas ele, cheio do Espírito Santo, tendo os olhos fixos no céu, viu a glória de Deus e Jesus que estava à direita de Deus e disse: 'Vejo os céus abertos e o Filho do homem que está à direita de Deus'. E levantando um grande clamor, fecharam os olhos e, em conjunto, lançaram-se contra ele. E lançaram-no fora da cidade e apedrejaram-no. E as testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um jovem, chamado Saulo. E apedrejavam Estêvão que invocava Deus e dizia: 'Senhor Jesus, recebe o meu espírito'. Depois, tendo posto os joelhos em terra, gritou em voz alta: 'Senhor, não lhes contes este pecado'. E dizendo isto, adormeceu".
Santo Estêvão, rogai por nós!
Papa lamenta atentados contra igrejas na Nigéria
O Papa Bento XVI falou sobre os atentados contra igrejas cristãs que aconteceram na Nigéria, em pleno dia de Natal. O apelo do Pontífice foi lançado logo após a oração mariana do Angelus, tradicionalmente recitada um dia após a celebração do nascimento do Senhor.
"A violência é um caminho que conduz somente à dor, à destruição e à morte; o respeito, a reconciliação e o amor são o caminho para alcançar a paz", destacou o Santo Padre.
Leia mais
.: "Ódio cego e absurdo" em atentados na Nigéria, diz Pe Lombardi
.: "Verdadeira imitação de Cristo é o amor", destaca Bento XVI
Confira o apelo na íntegra
"O Santo Natal suscita em nós, de modo ainda mais forte, a oração a Deus, a fim de que parem as mãos dos violentos, que semeiam a morte, e, no mundo, possam reinar a justiça e a paz. Mas a nossa terra continua a ser embebida por sangue inocente. Tomei conhecimento, com profunda tristeza, da notícia dos ataques que, também neste ano, no Dia do Nascimento de Jesus, levaram luto e dor a algumas igrejas da Nigéria.
Desejo manifestar a minha sincera e afetuosa proximidade à comunidade cristã e a todos aqueles que foram afetados por esse absurdo gesto e convido a rezar ao Senhor pelas numerosas vítimas. Faço um apelo a fim de que, com o auxílio de vários componentes sociais, reencontrem-se a segurança e a serenidade.
Nesse momento, desejo repetir mais uma vez com força: a violência é um caminho que conduz somente à dor, à destruição e à morte; o respeito, a reconciliação e o amor são o caminho para alcançar a paz".

"A violência é um caminho que conduz somente à dor, à destruição e à morte; o respeito, a reconciliação e o amor são o caminho para alcançar a paz", destacou o Santo Padre.
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.: "Verdadeira imitação de Cristo é o amor", destaca Bento XVI
Confira o apelo na íntegra
"O Santo Natal suscita em nós, de modo ainda mais forte, a oração a Deus, a fim de que parem as mãos dos violentos, que semeiam a morte, e, no mundo, possam reinar a justiça e a paz. Mas a nossa terra continua a ser embebida por sangue inocente. Tomei conhecimento, com profunda tristeza, da notícia dos ataques que, também neste ano, no Dia do Nascimento de Jesus, levaram luto e dor a algumas igrejas da Nigéria.
Desejo manifestar a minha sincera e afetuosa proximidade à comunidade cristã e a todos aqueles que foram afetados por esse absurdo gesto e convido a rezar ao Senhor pelas numerosas vítimas. Faço um apelo a fim de que, com o auxílio de vários componentes sociais, reencontrem-se a segurança e a serenidade.
Nesse momento, desejo repetir mais uma vez com força: a violência é um caminho que conduz somente à dor, à destruição e à morte; o respeito, a reconciliação e o amor são o caminho para alcançar a paz".
"Verdadeira imitação de Cristo é o amor", destaca Bento XVI
"A verdadeira imitação de Cristo é o amor, que alguns escritores definiram como o 'martírio secreto'", afirmou o Papa Bento XVI antes de recitar a tradicional oração mariana do Angelus nesta segunda-feira, 26, festa de Santo Estêvão, diácono e primeiro mártir da Igreja.
O Santo Padre destacou que, da mesma forma que na Antiguidade, também hoje a sincera adesão ao Evangelho pode requerer o sacrifício da vida.
"Muitos cristãos, em diversas partes do mundo, são expostos à perseguição e às vezes ao martírio. Mas, recorda-nos o Senhor, 'aquele que perseverar até o fim será salvo' (Mt 10,22)".
Acesse
.: NA ÍNTEGRA: Angelus de Bento XVI
.: Oração do Angelus na voz do Papa
Após narrar os comentários feitos por santos e historiadores da Igreja acerca da vida de Santo Estêvão, o Bispo de Roma apontou que, após a geração dos Apóstolos, os mártires adquiriram um lugar de primeiro plano na consideração da Comunidade cristã.
"Nos tempos de maior perseguição, os seus louvores refrescam o fatigoso caminho dos fiéis e encorajam quem está em busca da verdade para converter-se ao Senhor".
O Angelus
O encontro do Santo Padre com os fiéis reunidos na Praça de São Pedro aconteceu às 12h (horário de Roma - 9h no horário de Brasília).
O Bispo de Roma lançou um apelo em prol do fim do clima de violência inter-religiosa que assola a Nigéria, exemplificado no atentado contra igrejas cristãs em plena noite de Natal. "A violência é um caminho que conduz somente à dor, à destruição e à morte; o respeito, a reconciliação e o amor são o caminho para alcançar a paz", disse.
Ao final, o Papa fez uma saudação aos fiéis de língua portuguesa:
"A minha saudação estende-se também aos peregrinos de língua portuguesa, desejando que esta vinda a Roma encha de paz e alegria natalícia os vossos corações. Assim podereis imitar Santo Estêvão no seu amor apaixonado por Cristo, fazendo-o transbordar sobre os conterrâneos e vossa família, que de coração abençoo!".
O Santo Padre destacou que, da mesma forma que na Antiguidade, também hoje a sincera adesão ao Evangelho pode requerer o sacrifício da vida.
"Muitos cristãos, em diversas partes do mundo, são expostos à perseguição e às vezes ao martírio. Mas, recorda-nos o Senhor, 'aquele que perseverar até o fim será salvo' (Mt 10,22)".
Acesse
.: NA ÍNTEGRA: Angelus de Bento XVI
.: Oração do Angelus na voz do Papa
Após narrar os comentários feitos por santos e historiadores da Igreja acerca da vida de Santo Estêvão, o Bispo de Roma apontou que, após a geração dos Apóstolos, os mártires adquiriram um lugar de primeiro plano na consideração da Comunidade cristã.
"Nos tempos de maior perseguição, os seus louvores refrescam o fatigoso caminho dos fiéis e encorajam quem está em busca da verdade para converter-se ao Senhor".
O Angelus
O encontro do Santo Padre com os fiéis reunidos na Praça de São Pedro aconteceu às 12h (horário de Roma - 9h no horário de Brasília).
O Bispo de Roma lançou um apelo em prol do fim do clima de violência inter-religiosa que assola a Nigéria, exemplificado no atentado contra igrejas cristãs em plena noite de Natal. "A violência é um caminho que conduz somente à dor, à destruição e à morte; o respeito, a reconciliação e o amor são o caminho para alcançar a paz", disse.
Ao final, o Papa fez uma saudação aos fiéis de língua portuguesa:
"A minha saudação estende-se também aos peregrinos de língua portuguesa, desejando que esta vinda a Roma encha de paz e alegria natalícia os vossos corações. Assim podereis imitar Santo Estêvão no seu amor apaixonado por Cristo, fazendo-o transbordar sobre os conterrâneos e vossa família, que de coração abençoo!".
domingo, 25 de dezembro de 2011
HOMILIA DO SANTO PADRE BENTO XVI, NATAL DE 2011
SOLENIDADE DO NATAL DO SENHOR
HOMILIA DO SANTO PADRE BENTO XVI
Basílica Vaticana24 de Dezembro de 2011
Amados irmãos e irmãs!
A leitura que ouvimos, tirada da Carta do Apóstolo São Paulo a Tito, começa solenemente com a palavra «apparuit», que encontramos de novo na leitura da Missa da Aurora: «apparuit – manifestou-se». Esta é uma palavra programática, escolhida pela Igreja para exprimir, resumidamente, a essência do Natal.
Antes, os homens tinham falado e criado imagens humanas de Deus, das mais variadas formas; o próprio Deus falara de diversos modos aos homens (cf. Heb 1, 1: leitura da Missa do Dia). Agora, porém, aconteceu algo mais: Ele manifestou-Se, mostrou-Se, saiu da luz inacessível em que habita. Ele, em pessoa, veio para o meio de nós. Na Igreja antiga, esta era a grande alegria do Natal: Deus manifestou-Se. Já não é apenas uma ideia, nem algo que se há-de intuir a partir das palavras. Ele «manifestou-Se».
Mas agora perguntamo-nos: Como Se manifestou? Ele verdadeiramente quem é? A este respeito, diz a leitura da Missa da Aurora: «Manifestaram-se a bondade de Deus (…) e o seu amor pelos homens» (Tt 3, 4). Para os homens do tempo pré-cristão – que, vendo os horrores e as contradições do mundo, temiam que o próprio Deus não fosse totalmente bom, mas pudesse, sem dúvida, ser também cruel e arbitrário –, esta era uma verdadeira «epifania», a grande luz que se nos manifestou: Deus é pura bondade.
Ainda hoje há pessoas que, não conseguindo reconhecer a Deus na fé, se interrogam se a Força última que segura e sustenta o mundo seja verdadeiramente boa, ou então se o mal não seja tão poderoso e primordial como o bem e a beleza que, por breves instantes luminosos, se nos deparam no nosso cosmos. «Manifestaram-se a bondade de Deus (…) e o seu amor pelos homens»: eis a certeza nova e consoladora que nos é dada no Natal.
Na primeira das três leituras desta Missa de Natal, a liturgia cita um texto tirado do livro do Profeta Isaías, que descreve, de forma ainda mais concreta, a epifania que se verificou no Natal: «Um Menino nasceu para nós, um filho nos foi concedido. Tem o poder sobre os ombros, e dão-lhe o seguinte nome: “Conselheiro admirável! Deus valoroso! Pai para sempre! Príncipe da Paz!” O poder será engrandecido numa paz sem fim» (Is 9, 5-6). Não sabemos se o profeta, ao falar assim, tenha em mente um menino concreto nascido no seu período histórico. Mas isso parece ser impossível.
Trata-se do único texto no Antigo Testamento, onde de um menino, de um ser humano, se diz: o seu nome será Deus valoroso, Pai para sempre. Estamos perante uma visão que se estende muito para além daquele momento histórico apontando para algo misterioso, colocado no futuro. Um menino, em toda a sua fragilidade, é Deus valoroso; um menino, em toda a sua indigência e dependência, é Pai para sempre. E isto «numa paz sem fim». Antes, o profeta falara duma espécie de «grande luz» e, a propósito da paz dimanada d’Ele, afirmara que o bastão do opressor, o calçado ruidoso da guerra, toda a veste manchada de sangue seriam lançados ao fogo (cf. Is 9, 1.3-4).
Deus manifestou-Se… como menino. É precisamente assim que Ele Se contrapõe a toda a violência e traz uma mensagem de paz. Neste tempo, em que o mundo está continuamente ameaçado pela violência em tantos lugares e de muitos modos, em que não cessam de reaparecer bastões do opressor e vestes manchadas de sangue, clamamos ao Senhor: Vós, o Deus forte, manifestastes-Vos como menino e mostrastes-Vos a nós como Aquele que nos ama e por meio de quem o amor há-de triunfar. Fizestes-nos compreender que, unidos convosco, devemos ser artífices de paz. Amamos o vosso ser menino, a vossa não-violência, mas sofremos pelo facto de perdurar no mundo a violência, levando-nos a rezar assim: Demonstrai a vossa força, ó Deus. Fazei que, neste nosso tempo e neste nosso mundo, sejam queimados os bastões do opressor, as vestes manchadas de sangue e o calçado ruidoso da guerra, de tal modo que a vossa paz triunfe neste nosso mundo.
Natal é epifania: a manifestação de Deus e da sua grande luz num menino que nasceu para nós. Nascido no estábulo de Belém, não nos palácios do rei. Em 1223, quando Francisco de Assis celebrou em Greccio o Natal com um boi, um jumento e uma manjedoura cheia de feno, tornou-se visível uma nova dimensão do mistério do Natal. Francisco de Assis designou o Natal como «a festa das festas» – mais do que todas as outras solenidades – e celebrou-a com «solicitude inefável» (2 Celano, 199: Fontes Franciscanas, 787). Beijava, com grande devoção, as imagens do menino e balbuciava-lhes palavras de ternura como se faz com os meninos – refere Tomás de Celano (ibidem).
Para a Igreja antiga, a festa das festas era a Páscoa: na ressurreição, Cristo arrombara as portas da morte, e assim mudou radicalmente o mundo: criara para o homem um lugar no próprio Deus. Pois bem! Francisco não mudou, nem quis mudar, esta hierarquia objectiva das festas, a estrutura interior da fé com o seu centro no mistério pascal. Mas, graças a Francisco e ao seu modo de crer, aconteceu algo de novo: ele descobriu, numa profundidade totalmente nova, a humanidade de Jesus. Este facto de Deus ser homem resultou-lhe evidente ao máximo, no momento em que o Filho de Deus, nascido da Virgem Maria, foi envolvido em panos e colocado numa manjedoura. A ressurreição pressupõe a encarnação. O Filho de Deus visto como menino, como verdadeiro filho de homem: isto tocou profundamente o coração do Santo de Assis, transformando a fé em amor. «Manifestaram-se a bondade de Deus e o seu amor pelos homens»: esta frase de São Paulo adquiria assim uma profundidade totalmente nova. No menino do estábulo de Belém, pode-se, por assim dizer, tocar Deus e acarinhá-Lo. E o Ano Litúrgico ganhou assim um segundo centro numa festa que é, antes de mais nada, uma festa do coração.
Tudo isto não tem nada de sentimentalismo. É precisamente na nova experiência da realidade da humanidade de Jesus que se revela o grande mistério da fé. Francisco amava Jesus menino, porque, neste ser menino, tornou-se-lhe clara a humildade de Deus. Deus tornou-Se pobre. O seu Filho nasceu na pobreza do estábulo. No menino Jesus, Deus fez-Se dependente, necessitado do amor de pessoas humanas, reduzido à condição de pedir o seu, o nosso, amor. Hoje, o Natal tornou-se uma festa dos negócios, cujo fulgor ofuscante esconde o mistério da humildade de Deus, que nos convida à humildade e à simplicidade. Peçamos ao Senhor que nos ajude a alongar o olhar para além das fachadas lampejantes deste tempo a fim de podermos encontrar o menino no estábulo de Belém e, assim, descobrimos a autêntica alegria e a verdadeira luz.
Francisco fazia celebrar a santíssima Eucaristia, sobre a manjedoura que estava colocada entre o boi e o jumento (cf. 1 Celano, 85: Fontes, 469). Depois, sobre esta manjedoura, construiu-se um altar para que, onde outrora os animais comeram o feno, os homens pudessem agora receber, para a salvação da alma e do corpo, a carne do Cordeiro imaculado – Jesus Cristo –, como narra Celano (cf. 1 Celano, 87: Fontes, 471). Na Noite santa de Greccio, Francisco – como diácono que era – cantara, pessoalmente e com voz sonora, o Evangelho do Natal. E toda a celebração parecia uma exultação contínua de alegria, graças aos magníficos cânticos natalícios dos Frades (cf.1 Celano, 85 e 86: Fontes, 469 e 470). Era precisamente o encontro com a humildade de Deus que se transformava em júbilo: a sua bondade gera a verdadeira festa.
Hoje, quem entra na igreja da Natividade de Jesus em Belém dá-se conta de que o portal de outrora com cinco metros e meio de altura, por onde entravam no edifício os imperadores e os califas, foi em grande parte tapado, tendo ficado apenas uma entrada com metro e meio de altura. Provavelmente isso foi feito com a intenção de proteger melhor a igreja contra eventuais assaltos, mas sobretudo para evitar que se entrasse a cavalo na casa de Deus.
Quem deseja entrar no lugar do nascimento de Jesus deve inclinar-se. (veja foto acima) Parece-me que nisto se encerra uma verdade mais profunda, pela qual nos queremos deixar tocar nesta noite santa: se quisermos encontrar Deus manifestado como menino, então devemos descer do cavalo da nossa razão «iluminada». Devemos depor as nossas falsas certezas, a nossa soberba intelectual, que nos impede de perceber a proximidade de Deus. Devemos seguir o caminho interior de São Francisco: o caminho rumo àquela extrema simplicidade exterior e interior que torna o coração capaz de ver. Devemos inclinar-nos, caminhar espiritualmente por assim dizer a pé, para podermos entrar pelo portal da fé e encontrar o Deus que é diverso dos nossos preconceitos e das nossas opiniões: o Deus que Se esconde na humildade dum menino acabado de nascer. Celebremos assim a liturgia desta Noite santa, renunciando a fixarmo-nos no que é material, mensurável e palpável. Deixemo-nos fazer simples por aquele Deus que Se manifesta ao coração que se tornou simples. E nesta hora rezemos também e sobretudo por todos aqueles que são obrigados a viver o Natal na pobreza, no sofrimento, na condição de emigrante, pedindo que se lhes manifeste a bondade de Deus no seu esplendor, que nos toque a todos, a eles e a nós, aquela bondade que Deus quis, com o nascimento de seu Filho no estábulo, trazer ao mundo. Amém
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